Menina Maria indaga sobre o beijo...
Menina Maria quer beijar!
Menina Maria sente o beijo no anoitecer e no sonhar...
Menina Maria se confessa, descobre por Deus que o que deseja, com tanta fé, é pecado!
Menina Maria conhece Inácio no dia que conheceu o pecado...
Menina Maria não soube dizer quão foi tomada pelos olhos de Inácio...
Então Maria e Inácio julgaram-se terra, pecado e chão!
O beijo inevitável...
Menina Maria pecou com boa intenção, amou com fé e sempre acreditou que um dia Deus entenderia...
Seguidores
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Diálogo Contemporâneo
Transitar entre olhares e vias, nas agudas horas;
Verbalizar o sentido, comer a vontade, devorar o mar...
Castigo físico, esse de nada me mata, apenas me compraz...
Eu sei, meio esquisito essa idéia! Principalmente, se tratando de meia hora atrás...
Contratos mal ditos, sentidos eternamente pueris;
Sim, é fácil! É fácil dizer ridiculamente o que penso...
Mas será que penso?
Por fim, para que tanta tinta no rosto e no desgosto?
Mistura áspera de mentira e covardia...
Verbalizar o sentido, comer a vontade, devorar o mar...
Castigo físico, esse de nada me mata, apenas me compraz...
Eu sei, meio esquisito essa idéia! Principalmente, se tratando de meia hora atrás...
Contratos mal ditos, sentidos eternamente pueris;
Sim, é fácil! É fácil dizer ridiculamente o que penso...
Mas será que penso?
Por fim, para que tanta tinta no rosto e no desgosto?
Mistura áspera de mentira e covardia...
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
A menina

(Para Giulietta Masina)
Menina, são tão dignos esses teus olhos;
Feitos de perfeito jeito ao teu rosto redondinho...
Se alguém nunca tenha ousado, pois eu te grito:
São castanhos e belos!
Belos e grandes...
Ainda hão de te confundir com uma pequena cigana...
E depois de contar-te da beleza dos teus olhos me vieste com tão singela pergunta:
Que cor é o castanho?
São e sempre serão a grandeza, a beleza e o grito por estes teus olhos!
Marcelo de Carvalho dos Santos
...

Caminho limpo, diga-me a razão para aliviar a queda?
Caminho limpo, mas o sol queima as minhas, as vossas retinas...
Deixe-me ajoelhar, pois o que não vejo sinto nas fieis pontas desses dez dedos...
A visão pouco me importa, quero a lida do regresso, a vida sentida pormenores relevos;
Relevos reveladores desse barro velho que, por certo, é parte de alguma rua seca, de algum bairro seco em algum país perdido...
Afinal, o que importa?
São apenas barros e dedos se reconhecendo... O meio e o fim vivendo a bondade do reencontro graças ao sol que cega!
Marcelo Sarges de Carvalho dos Santos
terça-feira, 11 de maio de 2010
VERSO
Um dia, no meio da tarde, eu, talvez, descubra o que fazer desse tempo...
Desse tempo que divide e mistura todas as ásperas identidades do verso...
O verso, esse, ficou torto seu moço!
Pegou chuva de corpo quente - igual a um moleque apressado!
Mas, por ser moleque, e, ainda por cima apressado, ria...
Ria, pois, mesmo torto, ele ainda sentiu o vento que passa pelo seu rosto;
E era como se fosse verso-moleque, solto, a corre quilômetros ao pé da ventania...
Marcelo Sarges de Carvalho dos Santos
Desse tempo que divide e mistura todas as ásperas identidades do verso...
O verso, esse, ficou torto seu moço!
Pegou chuva de corpo quente - igual a um moleque apressado!
Mas, por ser moleque, e, ainda por cima apressado, ria...
Ria, pois, mesmo torto, ele ainda sentiu o vento que passa pelo seu rosto;
E era como se fosse verso-moleque, solto, a corre quilômetros ao pé da ventania...
Marcelo Sarges de Carvalho dos Santos
MARÉ

Nossos pés molhados à beira do rio...
Nossos pés contam no leve passar da maré, horas e confissões...
Nossos pés entrelaçam-se, beijam-se, abraçam-se!
Nossos pés... Meu corpo, teu beijo, nosso abraço!
Nossos pés, túrgidos de tanta água, fazem uma ultima ação juntos:
Marcam, lado a lado, de ponta a ponta, o trapiche com nossas pegadas...
É que lá na beira a maré seca e o sol trata de esconder nossas marcas, nossa cumplicidade...
Marcelo Sarges de Carvalho dos Santos
quinta-feira, 6 de maio de 2010
PREÂMBULO

Hoje, um preâmbulo para o indeciso;
Mas, é nesse resumo que me asseguro...
Digo-me digno; cruel; humano; gentil...
Hoje, não há bem que maltrate e nem mal que afague...
O que se tem desse instante que, num piscar de olhos, conjuga-se passado?
Tem-se a minha necessidade, junta ou separada, com a tua necessidade!
Se juntas forem que haja amor entre nós...
Caso contrário conjuguemos, cada qual a seu modo, outras ações, outras pessoas, outras necessidades...
Marcelo Sarges de Carvalho dos Santos
terça-feira, 20 de abril de 2010
A Missa

A missa acabara e a menina de saia rodada se encontra dispersa, mas o seu olhar dignifica tal ato de isolamento (a verdade é que hoje, só hoje, não haverá a conversa com as outras meninas!); então, encontrou o velho balanço que, para ela, era um amigo, pois havia pouco tempo que perdera o hábito de passar às tardes entre altos e baixos; mas hoje queria o aconchego daquele lugar novamente – havia ali a velha necessidade humana de olhar para frente, porém com um pé seguro em algum tempo no passado...
Começara o balançar, querendo sempre que possível ir um tanto mais além; ela apoiava o pé com mais força em cada passagem pelo chão, deixando a marca do sapato mais vivo no barro batido... E a saia rodada da menina era levada pelo vento que batia para além do norte; havia harmonia entre o balanço e a pequena, talvez a cumplicidade da infância tenha deixado isso velado entre eles, como naquelas mais doces amizades que crescem no silêncio da distância... A sombra única projetada no chão era o sim para tal união.
O movimento já era uniforme, já não se podia ir mais longe... Nem mais alto, nem mais baixo, pois foi com uma mão sentenciadora que o balanço perdeu o encanto e passou novamente a um simplório banco de madeira pendurado a uma árvore; a velha amizade fora se acabando, a menina se afastando e o banco ficando, ficando, mais uma vez para trás...
A menina, nervosa, não fitava o rosto do coroinha que lhe apresentaria ao primeiro pecado; porém de uma inocência que até os anjos se interrogavam sobre a natureza de um primeiro beijo: pecado ou não? Creio que esse é um dos poucos momentos que os querubins se questionam sobre o bem e o mal!
Os olhos se encontravam unidos em uma conversa quase subliminar; não que não houvesse o que dizer (não, a questão não é essa!), mas como dizer? Creio que essa é a primeira vez na vida que passamos a situação de termos à vontade velada pelo momento; acredite, tudo isso nos é revelado em face dessa ultima brincadeira, depois desse ato cai os últimos anseios de criança... O coroinha oferece a mão à menina, ela retribui o ato concedendo a sua mão para que meio sem jeito, fiquem um tanto mais próximos. Eis que é chegada à hora! Ele a aproxima, a deixando acolhida contra o seu peito; agora o que é uniforme são as respirações... Daí em diante não compete a alguém revelar o futuro desse momento, o que resta agora é olhar...Vê que o vento continua a passar levantando e passando um frêmito no cabelo da menina e então tudo se consuma...
As horas mais quentes se apresentam e tanto o coroinha e a menina resolvem deixar a pouca sombra que havia de baixo da árvore- as mudanças de estações trazem sempre novos ângulos e a necessidade de outros lugares, pois os tempos de outono chega para uns com o mais doce cheiro primaveril...
Agora que tudo se encerra, fiquemos com a fluídez daquele lugar, aonde tudo se denota com um ar quimérico... Tal ar revela a necessidade extrema de ser; até que alguém se aconchegue novamente ao velho balanço, querendo ir sempre um tanto mais além, será possível? Esperemos até a próxima missa...
Marcelo sarges de Carvalho dos Santos
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Trindade

Desse silêncio que habita na casa e comigo;
Dele me torno amigo e dele tento, obstinadamente, fugir; é imagem e a ultima rosa que não abre; tal silêncio beija-me secamente o rosto e, a casa, me deixa atroz perante a vida que não pára;
Desse silêncio e dessa casa, sou parte, sou filho, sou parto...
Sou trindade!
Identidade
Assinar:
Postagens (Atom)
