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terça-feira, 1 de março de 2011

LAPSO


A sala cheia, o dia em brasa e a porta entreaberta...
Falaste-me da saudade sentida e me tornasse um abraço, com jeito me revelaste a vida que se cria na distância;
São os signos que se criam latentes em nós...
Frutos dessa obsessão humana pela vida, morte e a eternidade!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A CRIANÇA E DO CÉU




( para Raiza Guimarães)

Da criança ao céu há uma vida, uma história de definições, condições, hábitos e humanidades!

Da criança o sorriso;

Do céu sempre o que almejar, o fato, a vontade primeira...

Da criança a perda irreparável, a vontade do sorriso, do gesto que se perpetua em ti!

Do céu o descobrir que se pode seguir...

Da criança o jeito, a cor, o inexplicável carinho;

Do céu a graça, o futuro...

Da criança a menina tornando-se mulher;

Do céu esse infinito, eterno e terno, da possibilidade de ser...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

CONDIÇÃO


Solene tarde dormida de meia hora atrás...
Minha hora pretérita, perdida, escassa...
Uma porta entreaberta e o lado direito da chinela perdida na penumbra do quarto....
De fato levanto e ponho-me a interrogar:
onde está a direita?
Nos pés um passo quente e outro frio...
Mas não paro, caminhar é preciso...
Interpelo-me sobre a vida dada antes do sono...
Sinto falta daquela prudência, da elegância igual do andar,
sinto falta de antes do ultimo acordar...
Agora há diferença no sono, no caminhar e a vivência oscila entre o frio do piso e o calor da proteção do pé calçado...

Marcelo sarges de Carvalho

NARCISO


As luzes fugazes se desfazem sem dá margem ao olhar...
Subalterna respiração, emergência no resgate vil do último ato digno!
São atos feitos de pedra e aço.
Dignidade latente, viúva do orgulho, pois narciso beijou o seu reflexo ,
e o afogar-se tornou-se inevitável...
Era humano na face, no gesto e na lembrança!
É o caminho nato do sentido negado ao reflexo guardado...
Conhecer e afogar-se!
Transitar, sem nem mesmo ver que o espelho reflete mais do que uma única imagem...
Marcelo Sarges de Carvalho

SAUDADE


O intuito, o estado, tudo é vontade!
O que não fica deixa uma beira-idéia deixa margem à cegueira do agir...
A idéia é caída, sem peso, sentido, é carinho negado na iminência da lágrima!
E que falta faz...

Marcelo Sarges de Carvalho

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Despedida

Lúgubre lugar, a casa rouba qualquer imagem que caia sobre os olhos...
Dia pequeno, luar sem igual!
As horas no breu sempre são sinônimo de lar...

Marcelo Sarges de Carvalho dos Santos

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

JAZ

Ao silêncio devo as horas plenas...
Ao calar devo toda cumplicidade necessária...
A uma retórica traída devo o mais belo e humano beijo...
É a um morto que torno herói!

Mística palavra

Há tempos que deixam os lábios queimando...
Um segredo de saudade pueril larga no infinito a idéia de teu olhar, digno de histórias...
Bebemos os passos, aprenderemos no silêncio da distração a canção que poderá nos separar, ali, na próxima esquina...
Mas o que será do segredo, das idéias que sobrevivem de nós?
INDAGAÇÕES!
Tudo perpassa pelo estéreo reino do possível...
O que tens de mim são sensações, estas já vão longe de ser contadas!
Gozo nos teus gestos uma idéia de magia, de pura sagacidade...
Acredito na eternidade finda do nosso até logo...
Porém, ando. Ando, revendo segredos e queimando os lábios toda vez que me escapa das idéias e cria vida em palavras!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O vestido do ser...

A alma exercita o ânimo, a vontade,
Os gostos; os olhos que não pára, entregam-se ao frenesi...
É tudo a primeira e eterna vez, reproduzindo-se com uma intensidade mais pífia...
O pelo, o couro... Animal que pensa e engana-se de tal condição...
Ser que cria até motivos para viver sem olhar ao único destino...
Criou-se então a precária eternidade...
Torna-se presente nessa idéia diária de antianimal, anticura do mal...
Para, por fim, alimentar a alma!
Marcelo Sarges de Carvalho

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

PROVÉRBIO

Hoje sou ideia suspensa no ar,
aquela que te cerca, porém sem te tocar...
Espaços abertos, o tempo leva o livro que envelhece comigo,
e isso em nada é ruim!
Eis que com o tempo nasce na alma a arte de proverbiar...
Tocar o dia, aquele espaço sacro, já não é possível!
Aonde paramos, quem somos, o que fomos?
São idéias longas...
Hei de condensá-las e dar-lhes o sentido em poucas palavras...
Haverá de nascer um provérbio!
Mas as palavras saem desastradas;
Digo o que não posso, porém não digo tudo que queria...
Ainda há sentido nessa vinda, nesse encontro?
Após uma análise estéreo percebo que não consigo dizer-te;
Fogem as lembranças e indagações intimas...
O tempo mostra-se ermo,
a mim faltou a ação, o verbo...
Percebo que uma máxima me foge, falta-me o provérbio...

Marcelo Sarges de Carvalho