A alma exercita o ânimo, a vontade,
Os gostos; os olhos que não pára, entregam-se ao frenesi...
É tudo a primeira e eterna vez, reproduzindo-se com uma intensidade mais pífia...
O pelo, o couro... Animal que pensa e engana-se de tal condição...
Ser que cria até motivos para viver sem olhar ao único destino...
Criou-se então a precária eternidade...
Torna-se presente nessa idéia diária de antianimal, anticura do mal...
Para, por fim, alimentar a alma!
Marcelo Sarges de Carvalho
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
PROVÉRBIO
Hoje sou ideia suspensa no ar,
aquela que te cerca, porém sem te tocar...
Espaços abertos, o tempo leva o livro que envelhece comigo,
e isso em nada é ruim!
Eis que com o tempo nasce na alma a arte de proverbiar...
Tocar o dia, aquele espaço sacro, já não é possível!
Aonde paramos, quem somos, o que fomos?
São idéias longas...
Hei de condensá-las e dar-lhes o sentido em poucas palavras...
Haverá de nascer um provérbio!
Mas as palavras saem desastradas;
Digo o que não posso, porém não digo tudo que queria...
Ainda há sentido nessa vinda, nesse encontro?
Após uma análise estéreo percebo que não consigo dizer-te;
Fogem as lembranças e indagações intimas...
O tempo mostra-se ermo,
a mim faltou a ação, o verbo...
Percebo que uma máxima me foge, falta-me o provérbio...
Marcelo Sarges de Carvalho
aquela que te cerca, porém sem te tocar...
Espaços abertos, o tempo leva o livro que envelhece comigo,
e isso em nada é ruim!
Eis que com o tempo nasce na alma a arte de proverbiar...
Tocar o dia, aquele espaço sacro, já não é possível!
Aonde paramos, quem somos, o que fomos?
São idéias longas...
Hei de condensá-las e dar-lhes o sentido em poucas palavras...
Haverá de nascer um provérbio!
Mas as palavras saem desastradas;
Digo o que não posso, porém não digo tudo que queria...
Ainda há sentido nessa vinda, nesse encontro?
Após uma análise estéreo percebo que não consigo dizer-te;
Fogem as lembranças e indagações intimas...
O tempo mostra-se ermo,
a mim faltou a ação, o verbo...
Percebo que uma máxima me foge, falta-me o provérbio...
Marcelo Sarges de Carvalho
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Dia ou Noite
Viver o instante certo, comprimido, fatiado em doze pontos!
A mecânica sonora dos ponteiros já não se escuta!
A velha casa é um tempo oco, uma mãe sem filhos...
Eu vou seguindo idéias, criações, vivo lugares inéditos, recrio infâncias, vejo um primeiro beijo...
De repente, uma retomada urgente!
O relógio, mesmo calado, continua seu trabalho para me dizer que mais um dia chegou...
Lá, na sala oca, o relógio e o silêncio se disfarçam, criam identidades inversas para o mesmo seis...
Então, resta saber:
Você é do dia ou da noite?
A mecânica sonora dos ponteiros já não se escuta!
A velha casa é um tempo oco, uma mãe sem filhos...
Eu vou seguindo idéias, criações, vivo lugares inéditos, recrio infâncias, vejo um primeiro beijo...
De repente, uma retomada urgente!
O relógio, mesmo calado, continua seu trabalho para me dizer que mais um dia chegou...
Lá, na sala oca, o relógio e o silêncio se disfarçam, criam identidades inversas para o mesmo seis...
Então, resta saber:
Você é do dia ou da noite?
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
O SILÊNCIO
O silêncio possui corpo e grita entre os extremos da existência;
Ele incomoda e teima em se esconder dentro de nós;
É parte e não o todo...
Perceba!
O silêncio anuncia o agora e toda a sua urgência,
Castiga o amanhã e menospreza o que foi...
Ele me sorri, é terno quão o sorriso de criança;
Abraça-me, são braços de um amigo;
Beija-me então me sinto vivo...
MARCELO DE SARGES DE CARVALHO
Ele incomoda e teima em se esconder dentro de nós;
É parte e não o todo...
Perceba!
O silêncio anuncia o agora e toda a sua urgência,
Castiga o amanhã e menospreza o que foi...
Ele me sorri, é terno quão o sorriso de criança;
Abraça-me, são braços de um amigo;
Beija-me então me sinto vivo...
MARCELO DE SARGES DE CARVALHO
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
À MEIA-NOITE
À meia-noite os pactos são velados...
Meia hora em que tudo se persigna pelas esteiras dessas ruas...
À meia-noite não há silêncio nem luz,
Abstrações ou traições...
Consolos, beijos e arrepios, tentam o risco mais sombrio,
Encontrar-te!
Nesse pacto roto venho ao teu pensar querendo, querer-te;
E vivendo do que me dizes...
A meia hora em uma noite de São Jorge!
Meia hora em que tudo se persigna pelas esteiras dessas ruas...
À meia-noite não há silêncio nem luz,
Abstrações ou traições...
Consolos, beijos e arrepios, tentam o risco mais sombrio,
Encontrar-te!
Nesse pacto roto venho ao teu pensar querendo, querer-te;
E vivendo do que me dizes...
A meia hora em uma noite de São Jorge!
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Menina Maria
Menina Maria indaga sobre o beijo...
Menina Maria quer beijar!
Menina Maria sente o beijo no anoitecer e no sonhar...
Menina Maria se confessa, descobre por Deus que o que deseja, com tanta fé, é pecado!
Menina Maria conhece Inácio no dia que conheceu o pecado...
Menina Maria não soube dizer quão foi tomada pelos olhos de Inácio...
Então Maria e Inácio julgaram-se terra, pecado e chão!
O beijo inevitável...
Menina Maria pecou com boa intenção, amou com fé e sempre acreditou que um dia Deus entenderia...
Menina Maria quer beijar!
Menina Maria sente o beijo no anoitecer e no sonhar...
Menina Maria se confessa, descobre por Deus que o que deseja, com tanta fé, é pecado!
Menina Maria conhece Inácio no dia que conheceu o pecado...
Menina Maria não soube dizer quão foi tomada pelos olhos de Inácio...
Então Maria e Inácio julgaram-se terra, pecado e chão!
O beijo inevitável...
Menina Maria pecou com boa intenção, amou com fé e sempre acreditou que um dia Deus entenderia...
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Diálogo Contemporâneo
Transitar entre olhares e vias, nas agudas horas;
Verbalizar o sentido, comer a vontade, devorar o mar...
Castigo físico, esse de nada me mata, apenas me compraz...
Eu sei, meio esquisito essa idéia! Principalmente, se tratando de meia hora atrás...
Contratos mal ditos, sentidos eternamente pueris;
Sim, é fácil! É fácil dizer ridiculamente o que penso...
Mas será que penso?
Por fim, para que tanta tinta no rosto e no desgosto?
Mistura áspera de mentira e covardia...
Verbalizar o sentido, comer a vontade, devorar o mar...
Castigo físico, esse de nada me mata, apenas me compraz...
Eu sei, meio esquisito essa idéia! Principalmente, se tratando de meia hora atrás...
Contratos mal ditos, sentidos eternamente pueris;
Sim, é fácil! É fácil dizer ridiculamente o que penso...
Mas será que penso?
Por fim, para que tanta tinta no rosto e no desgosto?
Mistura áspera de mentira e covardia...
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
A menina

(Para Giulietta Masina)
Menina, são tão dignos esses teus olhos;
Feitos de perfeito jeito ao teu rosto redondinho...
Se alguém nunca tenha ousado, pois eu te grito:
São castanhos e belos!
Belos e grandes...
Ainda hão de te confundir com uma pequena cigana...
E depois de contar-te da beleza dos teus olhos me vieste com tão singela pergunta:
Que cor é o castanho?
São e sempre serão a grandeza, a beleza e o grito por estes teus olhos!
Marcelo de Carvalho dos Santos
...

Caminho limpo, diga-me a razão para aliviar a queda?
Caminho limpo, mas o sol queima as minhas, as vossas retinas...
Deixe-me ajoelhar, pois o que não vejo sinto nas fieis pontas desses dez dedos...
A visão pouco me importa, quero a lida do regresso, a vida sentida pormenores relevos;
Relevos reveladores desse barro velho que, por certo, é parte de alguma rua seca, de algum bairro seco em algum país perdido...
Afinal, o que importa?
São apenas barros e dedos se reconhecendo... O meio e o fim vivendo a bondade do reencontro graças ao sol que cega!
Marcelo Sarges de Carvalho dos Santos
terça-feira, 11 de maio de 2010
VERSO
Um dia, no meio da tarde, eu, talvez, descubra o que fazer desse tempo...
Desse tempo que divide e mistura todas as ásperas identidades do verso...
O verso, esse, ficou torto seu moço!
Pegou chuva de corpo quente - igual a um moleque apressado!
Mas, por ser moleque, e, ainda por cima apressado, ria...
Ria, pois, mesmo torto, ele ainda sentiu o vento que passa pelo seu rosto;
E era como se fosse verso-moleque, solto, a corre quilômetros ao pé da ventania...
Marcelo Sarges de Carvalho dos Santos
Desse tempo que divide e mistura todas as ásperas identidades do verso...
O verso, esse, ficou torto seu moço!
Pegou chuva de corpo quente - igual a um moleque apressado!
Mas, por ser moleque, e, ainda por cima apressado, ria...
Ria, pois, mesmo torto, ele ainda sentiu o vento que passa pelo seu rosto;
E era como se fosse verso-moleque, solto, a corre quilômetros ao pé da ventania...
Marcelo Sarges de Carvalho dos Santos
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